Quem muito ajuda, atrapalha

 Tem uma psicóloga que eu gosto muito no Instagram. É a Aline Lima. Nessa semana, ela compartilhou uma frase e um texto que me fizeram pensar bastante e confirmar o que eu já estava pensando há um tempo. Foi exatamente o título desse artigo: quem muito ajuda, atrapalha.

E aí eu fiquei pensando no quanto eu gosto de ajudar as pessoas. No quanto eu abro mão de mim mesma para me doar para alguém, no quanto eu quero estar presente, auxiliando como se eu fosse muito necessária ali, para aquela pessoa, para aquele lugar.

E o que eu venho percebido nos últimos tempos é que nem sempre a pessoa precisa ou quer a sua ajuda. Talvez ela nem ache que precisa de ajuda. O que para mim é uma questão, para ela pode ser algo bem resolvido. O que eu acho necessário, para ela é supérfluo.

E então eu me dei conta do quanto posso estar invadindo a vida do outro a partir do meu olhar, da minha vivência, da minha história, do meu mundo que, obviamente, não é igual ao mundo e nem à vivência do outro.

Sabe quando às vezes a gente pensa algo do tipo: “Nossa, se fulano de tal tá precisando tanto de (insira aqui algo que a pessoa está realmente necessitada), por que ela compra y (insira aqui algo que a pessoa comprou usando o dinheiro que poderia comprar x).

Eu observei essas situações em diversas pessoas. E diante da necessidade delas eu me perguntei como poderia ajudar a solucionar o problema, a falta de x. Foi aí que percebi: puxa, eu aqui super preocupada com fulano de tal porque ele não tem x que é fundamental, enquanto ele mesmo não tá nem aí e preferiu gastar y em algo aleatório, mas que ele gosta.

Vai ver não é nem problema dele, mas meu de querer me meter onde não sou chamada hahahaha. Justifico dizendo que é preocupação (e o meu desejo insano de ajudar, de agradar).

Fato é que estou usando isso tudo para tirar um pouco a carga dos meus ombros. Venho tentado não me sentir tão responsável por tudo e por todos a ponto de largar minhas próprias coisas, finanças, inclusive, para ajudar quem não quer ser ajudado ou não ache que precisa de ajuda.

A falta de reconhecimento

Todo esse comportamento cai em outro ponto: a falta de reconhecimento que é algo que sempre me perturba muito. Você faz, faz e faz e a pessoa nem aí para você, para o que você fez por ela. E isso frustra muito. E o que você faz então? Senta, chora, reclama, mendiga reconhecimento? Um pouco mais????? rsrsrsrs

Melhor é entender que, se a pessoa não te agradece talvez seja porque ela não acha que estava precisando daquela ajuda, ou então que o que você fez não custou nada para você, ou que era apenas a sua obrigação. Eu sei, dói ouvir isso. Mas, é assim que acontece em muitos casos.

Por outro lado, pode ser que a pessoa esteja sendo apenas ingrata. Acontece nas melhores famílias. A ingratidão pode estar em todas as pessoas, inclusive naquelas que amamos.

Qual a razão de tanto cuidado?

Por tudo isso é que é muito importante repensarmos as nossas atitudes com as outras pessoas e percebermos o quanto estamos sendo invasivos.

  • Por que queremos ajudar tanto?

  • Será que não falta olhar um pouco para a nossa própria vida?

  • Será que não estamos usando o outro para fugir da nossa própria vida?

  • O que realmente há por trás disso tudo?

Precisamos aprender a não sobrecarregar a nossa vida com os problemas dos outros também. Gostar é deixar o outro se responsabilizar também. É deixar o outro perceber onde está errando, e não correr para corrigir antes que ele sofra com o equívoco.

Venho me questionando isso sempre que possível. Sim, porque muitas vezes eu fujo de mim mesma. E o que eu tenho para dizer para a minha própria pessoa é: faz o teu, bença. Cuide da sua vida. Invista em você. Faça a sua parte pelas outras pessoas sim, mas não deixe que isso interfira demais na sua própria vida.

Claro que tudo é processo, né? E estou caminhando nisso. Eliminando algumas coisas que me sobrecarregam. E mais, tentando não me sentir culpada por isso. E olha que não é pouca coisa para se livrar, viu? Mas, vamos pra luta.





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